A nossa tendência em, muitas vezes, “focar no negativo” diante das experiências cotidianas foi o foco numa pesquisa de 6 anos da Brené Brown, uma pesquisadora em Ciências Sociais.
Em seu livro “A coragem de ser imperfeito”, ela divulgou descobertas sobre os fatores que explicam o fenômeno de “conexão humana”. Toda vez em que ela explorava com os entrevistados assuntos como amor, as pessoas traziam casos em que sentiram o coração partido; quando o assunto era pertencimento, esses entrevistados traziam histórias de quando se sentiram excluídos. Então, no geral, toda vez em que ela tentava explorar assuntos ligados a conexão, as pessoas acabavam trazendo histórias em que elas se sentiram
“desconectadas”.
Na tentativa de entender o que levava a origem dessa desconexão, ela encontrou um padrão emocional muito forte – a “vergonha”. E a vergonha nada mais é do que esse medo da gente se sentir desconectado, de se sentir excluído por outras pessoas. É aquele conjunto de pensamentos ligados ao “eu não sou bom o suficiente”, “não sou magro, rico, inteligente, ou bonito o suficiente”. São pensamentos que nos remete aquela sensação de baixo valor, simplesmente um medo de nos sentirmos “vulneráveis”!!!
Para entender um pouco mais esse “medo da vulnerabilidade”, ela acabou dividindo em dois grandes grupos: no grupo 1, tínhamos as pessoas que têm um forte senso de autovalor, pessoas que se amam e se sentem pertencidas a algo maior; enquanto o grupo 2, tínhamos as pessoas que constantemente duvidam se são boas o suficiente. Brené Brown descobriu que havia apenas “uma única variável” que separava esses dois grupos – as pessoas do primeiro grupo simplesmente “acreditavam merecerem conexão e amor”. Mas de onde vem essa crença tão forte que elas merecem conexão e amor? O padrão que mais apareceu nesse grupo 1 foi “coragem”!!! E coragem nesse contexto difere completamente de bravura.
Coragem é uma palavra que surgiu do latim “cor” ou “coração”, significando assim “uma ação que se origina do coração”. Isso seria considerado pela autora como coragem!!!
Coragem era o que esse primeiro grupo tinha para contar suas histórias mais íntimas, se expor, e acima de tudo “assumirem serem imperfeitos”!!! Para tanto, normalmente mostram
um padrão de terem “compaixão consigo”, antes de terem compaixão pelos outros.
Justamente por terem autocompaixão, as pessoas do primeiro grupo estão realmente dispostas a abrirem mão daquela pessoa que “a sociedade” espera que elas sejam, para serem efetivamente aquilo que elas autenticamente são.
Mas ser autêntico, ao mesmo tempo, em que ajuda a expressar os seus talentos naturais, também exige que você seja absolutamente verdadeiro sobre “quais são seus defeitos”.
Aceitar essas verdades é um grande desafio e é por isso que para se expressar da forma mais autêntica possível, essas pessoas “abraçaram sua vulnerabilidade”!!!
Ou seja, abraçar a vulnerabilidade significa você “abrir mão do controle e da previsibilidade de resultados”. Largar o controle e abrir o coração para vulnerabilidade é tão desafiador que acabamos por tentar a todo custo “neutralizar” a nossa sensibilidade. O problema é que não é possível você seletivamente neutralizar só algumas emoções. Tudo está interligado, se a gente começa a deixar de sentir o que desagrada, a gente também deixa de sentir aquilo que dá alegria, gratidão e felicidade. O sentir é universal e quando você bloqueia sentimentos ruins, você acaba consequentemente também bloqueando sentimentos bons.
Em resumo, a vulnerabilidade machuca, mas talvez ela machuque muito menos do que você esconder suas fragilidades. Por isso recomendo que você tente ser mais autêntico e não se julgue tanto com uma ótica depreciativa – focado sempre no que falta. Até porque o caminho da mudança é um processo de autoconhecimento e autovalorização, para então podermos verdadeiramente desenvolver nossas potencialidades que nos conduzirá à autorrealização.
Esse então seria o “Poder da Vulnerabilidade”, que é a mensagem principal desse livro bastante interessante!!! Fica o convite para nos transformar e sofrer menos!!! Vamos?!!

