Em determinados momentos da nossa vida, ainda que busquemos fazer diferente, percebemo-nos incorrendo nas mesmas ações que produzem frustração, fruto de armadilhas criadas por nós mesmos. Aí está a autossabotagem, que se caracteriza como um ciclo de repetição de comportamentos destrutivos sustentados pelo nosso inconsciente.
Podemos caracterizar esse processo inconsciente como uma “briga interna” na qual há a busca do seu lado consciente e racional pela satisfação: “Eu quero, eu posso, eu mereço!”; e a negação a essa satisfação pelo seu lado inconsciente e irracional: “E se eu gostar? E se eu for feliz? E se der certo? Então, vou ter que mudar? Ai que medo do novo!” Se nossas crenças e padrões inconscientes continuam os mesmos, não basta apenas a vontade de mudar e de fazer algo diferente, pois continuaremos repetindo o mesmo comportamento e sabotando nossas chances se “felicidade”.
O psicanalista freudiano americano Stanley Rosner, coautor do livro “O Ciclo da Autossabotagem”, nos seus quarenta anos de experiência, sinaliza que a grande parte
de nós não se dá conta do que realiza e prefere identificar que a insatisfação é apenas consequência de algo externo.
Esse mecanismo de negação promove a continuidade da situação, bem como do sofrimento gerado.
A autossabotagem pode estar presente nos mais variados aspectos da vida: no trabalho, no casamento, no namoro, na criação de filhos, na escola, etc.
Tendo como origem geralmente a infância, por ser na estrutura familiar que construímos nossas referências, apropriamo-nos de uma identidade, edificando nossa percepção e posicionamento no mundo.
Posturas essas que estão diretamente relacionadas aos traumas, aos sentimentos de abandono, à rejeição, à culpa, entre outros, e a influência de características de quem
convivemos.
Para realizar uma mudança significativa, o próprio Stanley Rosner sinaliza: “evitar essas repetições destrutivas é muito difícil, porque elas estão consolidadas em nosso inconsciente desde muito cedo.
Por isso eu digo que estar ciente de seu padrão de repetições é extremamente importante, eu diria que é o primeiro passo. Mas o caminho para estancar esse comportamento é ir ao encontro do trauma que está na raiz de tudo. Enfrentar essa tristeza. Muitos pacientes iniciantes agem como se tivessem nascido ontem e se recusam a falar do passado. Acham que é no presente que está a resolução do problema. Aos poucos vão percebendo que é preciso voltar no tempo para interromper o ciclo. A chave está nos conflitos.
Toda essa análise nos remetem às sábias palavras do filósofo Jean Paul Sartre: “O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós”. Daí a importância de se utilizar de recursos especializados, a exemplo das mais variadas formas de psicoterapias, para quebrar esse ciclo.

